DISLALIA
  

Esta semana, o Olhar Vital esclarece um transtorno da fala que ainda é conhecido pelo seu nome antigo: a dislalia. Com o campo da Lingüística, conectada intimamente com a Fonoaudiologia, pesquisas recentes desvendaram a fundo essa dificuldade de aquisição de linguagem da criança. A partir daí, uma nova visão é instaurada e a atenção do diagnóstico volta-se para os critérios de como se adquire os sons da língua para formar o vocabulário.
Como visto, a troca do termo dislalia (do grego dys + lalia = distúrbio articulatório) para desvios fonológicos, não é ocasional. Há cerca de 15 anos, essa disfunção era unicamente associada a um problema articulatório (envolvendo músculos e arcada dentária). Porém, descobriu-se que não é necessariamente sempre assim. Mônica Rocha, professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ, explica que “a disfunção está ligada ao processo de aquisição dos grupos de fonemas. Não se explicaria tão somente pela dificuldade articulatória, mas como as crianças elegem o uso de um determinado som na composição de uma determinada palavra. È muito mais um processo lingüístico do que articulatório”.
Os fatores de causa são extensos e variam de acordo com cada criança. Além da competência articulatória, os problemas auditivos, que vão de uma simples otite até os diversos níveis de surdez, não permitem a discriminação correta dos sons o que às vezes faz com que se apreendam os fonemas de maneira distorcida ou incorreta. Isso acontece por que “nós falamos o que escutamos”, salienta Mônica. Crianças com défcits de atenção e atraso no desenvolvimento global podem também estar suscetíveis a sofrerem desvios fonológicos.
– Antigamente, o pensamento era de que a fala errada passava com o tempo. O que acontecia é que as crianças chegavam aos quatro anos com transtornos de expressão verbais bem significativos. Hoje há critérios diferenciados para analisar se a alteração que elas mostram é pertinente com o desenvolvimento delas ou não – esclarece Mônica Rocha.
No desenvolvimento da primeira infância, é natural que a criança troque certos fonemas e fale, por exemplo, “bapo”, ao invés de sapo. Porém, os pais têm que estar sempre atentos desde a emissão das primeiras palavras de seus filhos. Dessa forma, os desvios são detectados e sanados mais cedo. “Se aos dois anos e meio a criança não é capaz de conjugar duas palavras na intenção de uma frase, mesmo que isso esteja longe da estrutura gramatical da Língua, os pais devem ficar alertas. E se aos três anos ela ainda tem dificuldade de expressar-se de maneira satisfatória e clara, e há troca de fonemas, é recomendável a avaliação de um fonodiólogo”, aconselha a professora.
Durante a alfabetização, a criança pode ou não levar o seu desvio oral para a grafia. Mônica Rocha alerta que o desvio fonológico não é pré-condição de uma alteração de leitura e escrita, embora não seja aconselhável chegar nessa fase escolar com o padrão de linguagem fora do normal.
A terapia fonoaudiológica é recomendável quando o desvio persiste e está muito fora do padrão lingüístico. No tratamento não se realizam somente exercícios articulatórios, mas também a interação da criança com a linguagem, através de cantigas, jogos de rima, brincadeiras lúdicas e educativas. O objetivo principal é que o pequeno paciente tenha a consciência fonológica e a organização vocabular.
Para os pais que desejam um acompanhamento para seus filhos, o Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ disponibiliza, às segundas e quartas, de 8h às 17h, um Ambulatório de Desvios Fonológicos. Mônica Rocha, que coordena o serviço, é uma das especialistas no assunto.
Isabella Bonisolo
DISLALIA
Saúde
Dislalia é a má formação da articulação de fonemas, dos sons da fala. Não é um problema de ordem neurológica, mas de ordem funcional, referente à forma como estes sons são emitidos”, explica a fonoaudióloga Rosane Paiva. Segundo ela, este som alterado pode se manifestar de diversas formas, havendo distorções, sons muito próximos mas diferentes do real ; omissão, ato em que se deixa de pronunciar algum fonema da palavra; transposições na ordem de apresentação dos fonemas (dizer mánica em vez de máquina, por exemplo); e, por fim, acréscimos de sons. Estas alterações mais comuns caracterizam uma dislalia.
Rosane explica que a dislalia pode ser fonética, quando o problema se apresenta somente na alteração constante de fonemas mas a criança conhece o significado da palavra, ou fonológica, quando a criança simplesmente não ordena de modo estável os sons de sua fala. Para evitar tais problemas,a Fonoaudiologia deve ser também preventiva: “
A maioria das pessoas ainda não tem o hábito de fazer uma avaliação fonoaudiológica preventiva, nos primeiros anos de vida, como ocorre no que diz respeito à Pediatria. Mas eu penso que se deve estar atento também à saúde da voz, da fala e da audição, e acompanhar este desenvolvimento, principalmente quando se pretende expor a criança a uma aprendizagem formal, na idade certa”- diz Rosane.
Muitos fatores, segundo a fonoaudióloga, podem influir para que dislalias venham a surgir: “crianças que usam a chupeta por muito tempo, ou que mamam na mamadeira por tempo prolongado, ou mesmo aquelas que mamam pouco tempo no peito terminam por alterar as funções de mastigação, respiração e amamentação. Estas crianças podem apresentar um quadro de dislalia”- explica. E ressalta que, embora não se possa dizer que haja uma relação direta, é inegável que tais crianças acabem apresentando flacidez muscular e postura de língua indevida, o que pode ocasionar dislalia. Sendo assim, a dislalia pode ser prevenida por mães bem orientadas durante a amamentação e o pré-natal.
O tratamento da dislalia varia de acordo com a necessidade de cada criança. Em primeiro lugar, é feita uma avaliação após um contato com a família, e faz-se um levantamento histórico da criança para, só depois, iniciar o trabalho com a percepção dos sons que ela não executa. Rosane explica que existem crianças que têm dificuldade de perceber auditivamente os sons. O fonoaudiólogo deve, então, usar recursos corporais e visuais para chegar ao seu objetivo. Outras crianças apresentam línguas hipotônicas (flácidas), o que às vezes chega a ocasionar alterações na arcada dentária. Ou ainda, mostram falhas na pronúncia de certos fonemas devido a postura e respiração deficientes. “Para cada criança, tem-se um procedimento diferente, mas, em geral, o fonoaudiólogo atua, na terapia, sobre a falha e a dificuldade, usando, de preferência, meios lúdicos para ampliar a possibilidade de utilização dos sons, até que a criança se sinta segura”- explica.

Recadinho para os Professores
-Repetir somente a palavra correta para que a criança não fixe a forma errada que acabou de pronunciar.
- É importante que o professor articule bem as palavras, fazendo com que as crianças percebam claramente todos os fonemas.
- Assim que perceber alterações na fala de um aluno, o professor deve evitar criar constrangimentos em sala de aula ou chamar a atenção para o fato. O recomendável é que não se espere muito tempo para avisar a família e procurar um fonoaudiólogo.
- Uma criança que falta às aulas regularmente por problemas de audição, como otites freqüentes, requer maior atenção.
- Os professores devem ser bem -orientados em relação a estes fatores e , para isto, é preciso que haja interação entre eles e os fonoaudiólogos.
- O ato da fala é um ato motor elaborado e, portanto, os professores devem trocar informações com os educadores esportivos e professores de Educação Física, que normalmente observam o desenvolvimento psicomotor das crianças.
- O ideal é que a criança faça uma avaliação fonoaudiológica antes de iniciar a alfabetização, além de exames auditivos e oftalmológicos.
O Jogo do Jardim Zoológico
Michele Adum utiliza bastante uma brincadeira muito comum no universo infantil: o joguinho dos bichos. “Desenvolvo muitas áreas incentivando a criança a ‘montar’ o seu Jardim Zoológico, com bichinhos de plástico e cercados – diz ela. E explica que é possível trabalhar a área afetiva, por exemplo, quando a criança coloca lado a lado os membros de uma ‘família’: touro, vaca e bezerros”.
Segundo ela, é possível trabalhar também níveis de classificação, já que “a criança separa os bichos por tamanho, classes, espécies, cores”. Ou ainda, a coordenação motora – a própria criança monta os cercados e encaixa as cerquinhas – e a organização do pensamento. Até a Matemática é enfocada, pois, com base na classificação, Michele pode abordar conceitos de união, interseção, conter e estar contido. “O Jardim Zoológico é uma excelente ferramenta de avaliação e terapia”, diz ela. A utilização de todo jogo, no entanto, é controlada e sistemática, visando a atingir um objetivo específico.
Dislalia
Fonte: She.com.br

Até quatro anos de idade é normal erros na linguagem da criança, mas depois desta idade se a criança continuar falando errado pais e professores devem ficar atentos porque a criança pode ter dislalia.
Dislalia é a omissão, substituição, distorção ou acréscimo de sons na palavra falada. A dislalia são falhas de articulação que podem ter origem funcional ou orgânica. Na dislalia de origem funcional a criança não sabe mudar a posição da lingua e dos lábios e na dislalia de origem orgânica podem ser defeitos na arcada dentária, lábio leporino, freio da lingua curto e lingua de tamanho acima do normal.
Tipos de Dislalia:
Omissão – não pronuncia alguns sons – “Omei ao ola”(Tomei coca-cola).
Substituição – troca alguns sons pôr outros – “Telida mamãe”(Querida mamãe).
Acréscimo – Acrescenta mais um som – “Oceano Atelântico”(Oceano Atlântico).
Rotacismo – substitui o r pela letra L – “tleis”(Três).
Gamacismo – omite ou substitui os fonemas k e g pelas letras d e t – “tadeira” (cadeira), “dato”(gato).
Lambdacismo – pronuncia a letra L de maneira defeituosa – “palanta” (planta), “confilito” (conflito).
Sigmatismo – usa de forma errada ou tem dificuldade em pronunciar as letras s e z (às vezes não consegue nem soprar ou assobiar).
Na dislalia funcional é muito freqüente em caçulas, porque eles tendem a conservar as formas de articulação infantis muitas vezes pôr terem uma posição importante na família e não necessitarem de muito esforço para serem compreendidas.
A dislalia funcional pode acontecer com filhos de estrangeiros porque em casa usam uma lingua e na escola a lingua corrente do pais, o que obriga a criança ter ao mesmo tempo dois sistemas de articulação. A dislalia pode interferir no aprendizado da lingua escrita também e podendo também acarretar outros problemas na aprendizagem.
No tratamento da dislalia é importante um trabalho interdiciplicar de profissionais como: fonoaudiologo, psicopedagogo, dentista e psicólogo.
Andréa do Nascimento Preto

Muito treino para falar bem

Fonte: Nova Escola online
Sou diretora de um berçário e notei que uma das crianças, de 3 anos, gagueja e pronuncia as palavras de forma incorreta. Além disso, ela é muito ansiosa e intranqüila. Sei que até os 4 anos é normal que uma criança fale com alguns erros. Mas quero ajudá-la agora, para evitar problemas na alfabetização. Gostaria de conhecer técnicas modernas em fonoaudiologia, como por exemplo softwares para melhorar a fala.
Rita de Cássia Tamborra
Osasco, SP

O período entre os 2,5 e os 5 anos de idade é caracterizado por um intenso desenvolvimento, não só língüístico mas também motor, cognitivo e emocional. Durante essa fase são comuns a gagueira e as trocas ou ausências de sons (fonemas) em certas palavras, problema que vai desaparecendo à medida que a criança amadurece. Sua persistência após os 4 anos de idade, porém, pode ser considerada patológica e merece avaliação específica de um fonoaudiólogo.
Por enquanto, não esqueça que o processo de desenvolvimento da fala faz parte de um processo maior, que é o de aquisição da linguagem. Nele atuam não só as condições físicas do aparelho vocal mas também aspectos ambientais e afetivos que fazem parte da vida da menina ou do menino. Para avaliar o aluno dentro dessa perspectiva global, procure conhecer sua história de vida, avalie sua saúde geral, observe como ele dorme e se alimenta, como são seus contatos sociais e como ele brinca. Caso perceba problemas em algum desses setores, aconselhe os pais a consultarem um médico e/ou um psicólogo.
Outra coisa: para aprender a falar, a criança precisa ter uma perfeita percepção dos sons. Muitas crianças falam “errado” porque não conseguem distinguir os sons e ruídos gerados no ambiente ao seu redor.
Certas atividades lúdicas relacionadas à estimulação auditiva, com tarefas de atenção, discriminação e memorização de sons desenvolvidas na escola, podem ajudar a corrigir essa falha, sendo úteis também para o restante da classe. Por exemplo: ouvir uma poesia curta e repetir os versos; aprender a cantar uma ou mais estrofes de uma música conhecida; distinguir entre vários sons gravados; fazer ruídos que exercitem os órgãos encarregados da fala (lábios, língua e bochechas).
Ao mesmo tempo, oriente os professores para não criticar ou completar a fala do pequeno, evitando também demonstrar ansiedade ou pressa diante de suas tentativas para articular as palavras. Se a criança for colocada sob muita pressão, a gagueira ou a troca de fonemas, consideradas normais e passageiras, podem se instalar definitivamente. Por outro lado, mudanças no padrão de relacionamento dos adultos com ela podem levar à melhora dos distúrbios por diminuir a presença de fatores estressantes.
Se, apesar de todos os esforços, as dificuldades de fala persistirem, é hora de procurar um profissional competente, pois o aluno pode estar sofrendo de dislalia, que é a troca do “r” pelo “l” (fala do Cebolinha), ou de disartria, um distúrbio nos centros nervosos relacionados à fala.
Em tempo: desconheço a existência de softwares que ajudem na elaboração da fala.

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